Archive for outubro \24\UTC 2008

O Que tenho visto…

outubro 24, 2008
Foto de Andréa Horta

Foto de Andréa Horta

 

Quando eu penso que a televisão – e já não cabe mais aqui uma segmentação de tv paga ou tv aberta, nada disso! Apenas TV como um suporte de comunicação – já deu o que tinha que dar, que nada mais pode ser oferecido que não a mesmice ou a repetição de tudo que já foi passado e repetido e reimpresso, como uma cana de açúcar várias vezes imprensada pela máquina que produz o caldo nas pastelarias, ela me surpreende mais uma vez e me prende a frente do aparelho para acompanhar sua programação. A responsável por essa façanha dessa vez é a série Alice da HBO, protagonizada pela sensual e talentosa Andréa Horta. O contexto é forte. Rola de tudo: sexo, sexo e mais sexo, pai suicida, tia lésbica, romances proibidos, gravidez indesejada, de tudo mesmo… E olha que ainda está no quarto episódio, hein? A dupla que comando a direção geral (os cineastas Sérgio Machado, de Cidade Baixa e Karim Ainouz, de Madame Satã) subverte o teor angelical de Alice no país das maravilhas, obra máxima do célebre Lewis Carroll e nos transporta para uma São Paulo visceral, autêntica, sem rodeios, simplesmente contemporânea sem cair no desleixo de apresentar uma utopia (leia-se: uma cidadezinha correta para turista visitar e só). Longe disso! A cada episódio finalizado é possível sentir uma espécie de aprisionamento, como se também estivéssemos vivendo essa saga, essa provação de angústia, rodeada por sentimentos confusões, paqueras, diversas e a dificuldade de formar escolhas certas, se é que dá pra se pensar num cenário de certo ou errado num lugar desses. Sublime!

 

 

 

 

 

Como formar uma opinião sobre a morte trágica (esse termo já virou clichê, não adianta!) da menina Eloá em todo aquele teatro ocorrido durante o seqüestro e mais uma participação catastrófica da polícia? Que sociedade hipócrita a nossa! Já esquecemos da menina Isabela na estação do metrô tijuca, já esquecemos do ônibus 174 e da moça que ficou paraplégica (talvez nos lembremos de novo agora, por conta do filme homônimo do Bruno Barreto), já esquecemos da morte da filha da novelista Glória Perez, já nos esquecemos do jovem filho de classe nobre que metralhou, em SP, dentro de uma sala de cinema, durante a projeção do filme Clube da Luta, de David Fincher, já nos esquecemos de Suzanne Hirschtoffen que tramou o assassinato dos próprios pais, já esquecemos até (para sairmos um pouco das terras tupiniquins) da morte de Jean Charles na Inglaterra por agentes da Scotland Yard. De quanta coisa a gente já esqueceu, não é mesmo? Só não esquecemos é quando acontece com o filho da gente, o irmão/ã da gente, nossos pais, parentes, aí o bicho pega. De resto: não é comigo, que pena!, Que Deus dê forças a família dela e etc, etc, etc, etc (e mil etcs e tais). Opinião a declarar? Fico com a imagem acima. É a mais honesta para expressar o meu sentimento nesse exato momento.

 

 

 

Imagens:

http://oglobo.globo.com/fotos/2007/08/15/15_MHG_cult_alice1.jpg

http://www.convento.blogger.com.br/LUTO.jpg

 

 

        

Sem Novidades no Front

outubro 3, 2008

 

Compilando falta de assuntos: desapontamentos, curiosidades e outras coisas mais…

 

 

            O mês de setembro teve duas premissas que afetaram gravemente o meu processo narrativo: a primeira, a falta de assuntos realmente dignificantes do ponto de vista de significado (ou seja, em regras gerais, que merecessem pauta nesse causídico blog), e a segunda o corre-corre em que estive envolvido na faculdade quanto a trabalhos acadêmicos, provas e apresentações audiovisuais ainda em fase de formatação. Portanto, não foi muito difícil acatar a decisão de amigos íntimos em escrever sobre a falta de assunto. Isso mesmo! A falta de…

            (…)

            Primeiramente, manifesto aqui de forma pública o meu descontentamento quanto à programação do Festival de cinema do Rio de Janeiro desse ano. Onde estão aqueles filmes que eu realmente queria assistir, que estavam praticamente confirmados, mas na hora H não vieram por motivos muitas vezes inexplicáveis (refiro-me aqui, entre outros exemplares, a Guerilla, de Steven Soderbergh, Austrália, de Baz Luhman, The case of Benjamin Button, de David Fincher e The Exchange, de Clint Eastwood)? Uma afronta para aqueles nostálgicos cinéfilos que aguardam durante todo o ano pela oportunidade única de verem antes dos seus respectivos lançamentos as tão aguardadas produções que disputam páreo a páreo os gostos do público que lota a temporada Pré-Oscar no final do ano.

            (…)

            Como disse acima, por estar atolado com tantas provas, trabalhos, projetos, meu rendimento caiu. Mas, curiosamente, sempre acontece coisas muito boas nessas épocas de correria universitária, onde tudo parece perdido até que uma tranqüilizante novidade ou mesmo uma diversão de última hora o faz se recompor do stress diário no meio estudantil. A primeira foi a chegada da exposição Corpo Humano: real e fascinante, no Museu Histórico Nacional. Após ter ficado de queixo caído com a mostra, veiculada no programa Fantástico, da Rede Globo, temos agora a chance preciosa de ver in loco os esqueletos e órgãos humanos dispostos de forma sombria e inebriante. A segunda foi a grande feira de livros que aconteceu no Museu da República onde tive a oportunidade de adquirir livros imprescindíveis da minha área por preços módicos. E, finalmente, a grande saraivada de lançamentos comprados pela videoteca do Centro Cultural Banco Brasil (entre outras pérolas, obras-primas de Charles Chaplin, Depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni, alguns filmes de Orson Welles, Sergei Eisenstein, John Ford e muita coisa mais. Prefiro parar aqui senão o post vira enciclopédia cinematográfica!)

            (…)

            A maneira como a venda dos primeiros ingressos para o show de Madonna foi vendida aqui no RJ (refiro-me aos ingressos para o show do primeiro dia) já dá o que pensar da mega-turnê da loura femme fatale: será que vai ser isso tudo mesmo? Sei não! As últimas duas turnês dela, honestamente, não me agradaram nem um pouco. Madonna vestida de caubói? Crucificação de Cristo em pleno palco? Músicas que acentuam o lado místico da diva? E agora essa mistura com Timbaland e Justin Timberlake? Podem até achar que estou querendo jogar água no chopp da moça, mas sei não… Estou começando a ficar receoso. Resta saber se a Globo (ou a Record, que tanto deseja tomar a liderança televisiva da Vênus platinada) vai tomar vergonha na cara e passar a apresentação no Maracanã para aquela moçada que não dispõe das cifras milionárias pedidas pela produção da bela material girl.

            (…)

            Fico por aqui (por enquanto), mas volto.

            Com assunto ou sem.

            Eu sempre volto!