Archive for setembro \19\UTC 2008

Pequenas notas de rodapé

setembro 19, 2008

Desabafo + Ode ao Photoshop + Pedido de paciência

      

            Assim como Murilo Salles, que soltou o verbo numa coluna recente do Jornal O Globo sobre a distribuição dos filmes nacionais nas principais redes de cinema do país – em particular a sua recente produção Nome Próprio, vencedora de vários Kikitos em Gramado -, o não menos taxativo cineasta Walter Salles, produtor de obras raras como Central do Brasil, Diários de Motocicleta e o atualmente nas telas Linha de Passe, vencedor da Palma de Ouro em Cannes de Melhor atriz para Sandra Corvelone, soltou seus impropérios em curta entrevista cedida ao caderno B do Jornal do Brasil. Na matéria, efusiva, o cineasta dispara sua metralhadora intelectual afirmando em alto e bom som: “cinema não é sabão em pó ou sanduíche do McDonald’s. Trabalhamos com memória afetiva e não com simples mercadorias e bibelôs”. Grande Walter! Até que ponto – pergunto-me, enfastiado em meu sofá, enquanto leio o jornal – teremos de aturar um sistema cinematográfico hipócrita como o nosso? Até quando teremos de engolir produções caríssimas como Batman: Cavaleiro das Trevas, Speed Racer, O Procurado e tantos outros caça-níqueis internacionais tomarem nossas salas de assalto (e não me limito aqui aos multiplex da vida, não, a qualquer cinema um pouco mais difundido já basta), enquanto produções belíssimas como A Festa da Menina Morta, de Matheus Natchergaelle, o próprio filme de Salles (o Murilo, não o Walter) e muitas outras obras de expressão da nossa produção fílmica são relegadas a cinemas de pequeno porte, isso quando não são lançados somente em DVD após uma árdua espera dos cinéfilos. Vou até parar por aqui, senão vou falar um palavrão nesse humilde post que não tem culpa de toda essa calhordice.

            Cinema Nacional: Odeie-o ou deixe-o.

 

            (…)

 

            Um amigo fanático por bunda e seios polpudos corre em minha direção trazendo o exemplar do ensaio fotográfico de Carol Castro pela Playboy. Em seu rosto e atitude, ressoa um único comentário: maravilhosa! Pego a revista de suas mãos (para não dizer tomo!) e folheio por alguns minutos o trabalho fotográfico muito bem realizado e, ao final de minha “inspeção” (pois mais parece isso) falo sem titubear: Que beleza o Photoshop! Aturdido, ele me encara com olhos vermelhos de esgar e, logo, a crítica se pronuncia:

            “Qualé, Beto, tô te estranhando!”.

            Que mais poderia dizer? Vivemos a era da manipulação das imagens. Falsos aqueles que dizem de peito aberto “dessa água não beberei” quando fazem seus trabalhos de fotografia, seja para a faculdade, seja profissionalmente (e não necessariamente precisa ser um ensaio sensual. Nada disso! Uma matéria jornalística num bairro de subúrbio no domingo de manhã já basta para exercitar suas modificações digitais). Por andar à revelia de todos esses magos da imagem – definitivamente, já deu pra perceber que não compro a Playboy e quando vejo o ensaio é de graça, pela internet – e após ter lido recente matéria sobre o tema “Manipulando o Real” no caderno Olhar Digital do Jornal O Globo, percebe-se claramente em meu depoimento o descontentamento de minha notória pessoa por esse clima de second life que pairou sobre a sociedade contemporânea.

            Por não querer me estender sobre o assunto por considerá-lo vazio e totalmente sem graça (onde já se viu aplaudir mulheres transformadas por computador, quando no momento em que você cruza com essas musas pela cidade carioca, principalmente nas praias, elas decepcionam à primeira vista?), prefiro eximir-me de uma opinião definitiva e deixar o barco – aquele do Roberto Menescal à luz de vela e da Bossa – rolar. Minha avó (saudosa mulher de quem nunca me esqueço) dizia sempre que televisão engordava as pessoas. Se a TV as engorda de fato, não sei. Mas que o Photoshop mente, ah! Isso mente.

 

(…)

 

            Estou a duas semanas tentando assistir a peça O Trovador Solitário, baseada nas canções e no universo do compositor Renato Russo, ex-vocalista da nostálgica banda Legião Urbana. E ainda não consegui. Esse domingo tentarei novamente. E caso consiga realizar esse desejo (melhor chamá-lo saga, fica mais adequado), prometo compartilhar essa experiência por aqui. Portanto, é aguardar. De preferência, cruzando os dedos.  

 

 

Fotos:

http://www.carreirasolo.org/archives/imagens/renato%20russo.JPG

http://www.nndb.com/people/126/000088859/salles-crop.jpg

http://blogvecindad.com/imagenes/2007/03/photoshop.jpg

 

 

50 Anos de sangue, suor e muito pop

setembro 4, 2008

 

Michael Jackson chega aos 50 anos (quem diria!)

 

 

            Esse distinto senhor da foto acima – pasmem! – chegou há poucos dias a fatídica marca de 50 anos completados (o que, se para outros imortais das artes pode parecer pouco, em se tratando de sua humilde figura trata-se de uma façanha digna das mais nobres festas e rapapés). Lembro-me exatamente da primeira música que ouvi com sua assinatura: tratava-se de “Don’t stop ‘til get enough” cujo videoclipe, clássico da época, trazia Michael em sua mais deslumbrante forma, dançando de smoking ao redor de esferas incolores num clima bem sci-fi, coisa bem ao estilo de produções como Barbarella, de Roger Vadim. Naquele exato momento em que meus ouvidos se deliciavam com o seu pop frenético, eu ainda não tinha a menor idéia de que aquele menino, saído dos Jacksons Five, após muita polêmica, berros e socos por parte do agressivo pai, reviraria o mundo de ponta a cabeça com o fenômeno Thriller, até hoje o mais consagrado álbum da história da indústria fonográfica mundial. Palmas para ele! Até porque nessa época ele ainda era merecedor de todas as honrarias que fossem feitas em seu nome.

 

 

 

            O tempo passou (vieram Bad, outro disco polêmico, com direito a gestos sexuais que foram imortalizados pelo público mais fanático pela Jacksonmania, e Dangerous com parcerias bem montadas e aquele gesso na mão do cantor em cima da Estátua da Liberdade no clipe Black and White), o cabelo queimou (literalmente, numa apresentação ao vivo nos estúdios da BBC), as plásticas se tornaram uma mania doentia que perseguiram sua vida, o vitiligo serviu a causa do enbranquecimento e, principalmente, o popstar tornou-se o amigo inseparável das crianças, que passaram a fazer de tudo para visitar seu rancho Neverland, reduto do paraíso infantil e das obsessões do astro. Porém, como nem tudo no quartel de Abrantes são flores, sorrisos, abraços e chamegos, a justiça quis entrar na roda quintaniana (João amava Maria que amava Pedro que… Você que já leu o poema sabe o resto!) para apurar o que havia de angelical e o que havia de sinistro – para não dizer outro termo mais forte – em toda aquela história juvenil. Resultado: processos inesgotáveis, pais ofendidos com o que o compositor havia feito com seus filhos, pedindo indenizações milionárias, queda nas vendas, coletâneas atrás de coletâneas (só para se ter uma idéia: os álbuns History e Invincible sequer chegam aos pés dos dias mais fracos da carreira de Michael), raras aparições em prêmios televisivos e no Grammy – e assim mesmo acompanhado de uma turba de seguranças capazes das maiores atrocidades só para garantir sua integridade – e… E mais o quê? Que eu me lembre nada.

 

 

 

            Entenderam agora o porquê da façanha de Jackson ter chegado aos 50 anos. Depois de tantas tragédias, sopapos, pais ranzinzas, crianças querendo brincar de roda, discos fracassados, turnês desmarcadas, o novo álbum que nunca fica pronto (e nesse quesito ele só concorre em iguais condições com Axl Rose, vocalista do Guns N’ Roses e seu nunca completado disco Chinese Democracy!) e uma série de bizarrices que só fazem aumentar ainda mais a sua fama de excêntrico, como os filhos que só andam de burca, o casamento forjado com Lisa Marie-Presley, a inseparável máscara que o acompanha em suas exaustivas viagens de… De quê mesmo?

 

 

 

            Esse é Michael Jackson, o inventor do Moonwalker (vale aqui a recomendação: veja o filme, que passava muito no SBT na antiga Sessão das Dez que nunca começava às dez. É lúdico! Se puder gravar, pause na seqüência da música Smooth Criminal e se delicie com o passo que até hoje ninguém conseguiu imitar fielmente, mesmo o Usher tendo tentado com toda a disposição do mundo), o homem que veio ao Brasil, especificamente a Rocinha, um dos maiores pólos de criminalidade do mundo, só para gravar um clipe. Recentemente assisti em DVD sua última turnê gravada, em 1994, Live in Bucareste e acreditem! O mago dos pés ainda está lá, com todo seu magnetismo, fazendo com que milhares de fãs desmaiem ao som dos acordes da canção de abertura do show. O mesmo artista célebre que todos querem imitar, a quem todos querem ultrapassar em número de vendagens, mas ninguém chega nem perto. Para aqueles que vêem Michael Jackson como um caso de polícia, digo aqui (relato apaixonado de quem foi fã): para mim, Jackson é caso de ufólogo. Só outras culturas alienígenas conseguirão explicar algum dia como esse homem faz o que faz, da maneira como faz. E tenho dito.

 

 

        Foto:

 

http://www.multinet.no/~jonarne/Hjemmesia/Favorittartister/michael_jackson/michael_jackson_4.jpg