O Planeta pede socorro (e o que nós estamos fazendo?)

 

O que estamos fazendo com o nosso planeta é um crime: a descrença a respeito das conseqüências do aquecimento global.

 

            Ontem fiquei exercitando a minha memória afetiva por, aproximadamente, umas duas horas, tentando lembrar onde foi que vi, li ou ouvi uma citação que dizia “há de chegar o dia em que nossos maiores inimigos serão criaturas incorpóreas. E nesse exato momento teremos vergonha de admitir o quanto era bom poder tocar em nossos adversários e encará-los frente a frente, como homens”. Pois é, meus caros leitores, a criatura incorpórea chegou mostrando suas garras devastadoras: chama-se aquecimento global. Eu não sei precisar com 100% de exatidão quando foi que ela deu as caras em nossa sociedade tão mais preocupada com modismos e celebridades. Só sei que ela ganhou ares de inimigo respeitável quando o ex-candidato a Presidência da República Al Gore (ou, se olharmos pelas entrelinhas da história política norte-americana recente e pelo filme Fahrenheit 11 de Setembro, de Michael Moore, o verdadeiro presidente dos EUA) proferiu àquela palestra que serviu de base para o documentário Uma Verdade Inconveniente. De lá pra cá os olhos da opinião pública mundial se arregalaram, manifestações foram feitas nas ruas, o Greenpeace – provavelmente o único real interessado desde o princípio do problema – reforçou ainda mais os seus alertas, e… E mais o quê? O que mudou, de fato? Refiro-me aqui às pessoas que podem realmente fazer a diferença? Em que elas se solidarizaram?

 

            Um amigo de infância, ativista comprometido com essa luta pela salvação do planeta há exatamente uma década, traz-me uma matéria publicada no Jornal O Globo que me aumenta ainda mais a desesperança: “Sem acordo para o clima: países do G-5 não aceitam meta de redução de CO2 proposta pelo G-8”. Em linhas gerais, a briga gira em torno do descontentamento de países emergentes como China e Índia em assumir a diminuição de suas emissões de gases do efeito estufa em até 50% (meta essa que deverá ser assumida até o ano de 2050). Eles alegam não ser justo que suas economias não possam crescer por causa de limites impostos às emissões. As nações mais poderosas – e aqui faço um pequeno intervalo, pois olho o quadro anexo na matéria e fico estarrecido ao ver como países de importância do primeiro mundo, como Holanda, Alemanha e Japão, poluem a terra de forma atroz e sem pensar um minuto sequer no meio ambiente – reforçam a atitude já bastante divulgada de não quererem se sacrificar sozinhas nessa questão. Resultado: nenhum. Ou, pelo menos, um breve hiato até que as eleições norte-americanas, o verdadeiro termômetro desse país em ebulição, estejam sacramentadas.

 

            Em minha modesta opinião, se é que ela vale de alguma coisa, tudo não passa da velha lengalenga “eu não quero perder dinheiro”. Fulano empurra a responsabilidade para Beltrano que empurra para Sicrano que empurra para… (É como o poema Quadrilha, de Mário Quintana, só que utilizando outro verbo: EUA odiava China que odiava Japão que odiava Índia que odiava… E ninguém chegava à conclusão nenhuma). É muito triste ter de presenciar um quadro desses, mesmo sabendo da importância de que as grandes corporações reduzam seu ritmo urgentemente, pois caso isso não aconteça o aumento da temperatura pode chegar a índices ainda mais catastróficos do que os já alarmantes números atuais. Lembro com imenso desprazer de uma matéria feita pela Revista Veja meses atrás sobre o derretimento das calotas polares na Antártida. Em imagens chocantes, o fotógrafo captara a situação caótica do continente, ainda mais feroz quando se via a comparação feita em computador entre o que era a região na década passada e nos dias atuais. Algo precisa ser feito, isso é fato. A questão é que ninguém quer o compromisso, pois envolve aquilo que se tornou o bem mais precioso da humanidade nos últimos tempos: o vil metal. Como mudar a cabeça de uma sociedade (trata-se de uma minoria, vá lá, mas é essa minoria que dita as regras) que há anos se acostumou com lucros fáceis e uma vida confortável oferecida pelo dinheiro, quando o que se oferece em troca não é um papel-moeda, mas apenas vida? Pois eu realmente não acredito que eles vejam toda essa situação por outro aspecto (se vissem, as coisas certamente não teriam chegado a esse ponto).

 

 

Foto: http://www.tordesilhas.net

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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Uma resposta to “O Planeta pede socorro (e o que nós estamos fazendo?)”

  1. Wally Says:

    Mais um excelente texto. Não sei o que dizer, o fazemos no nosso dia a dia é algo selvagem. Mas não percebemos. Quando alguém apagar a luz e testemunharmos o caos da cegueira, aí sim iremos nos tocar.

    Ciao!

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