Artistas ou semideuses (dá no mesmo)

Capa do disco Back in the U.S

 

O artista é apenas um artista ou algo mais?

 

            Talvez pareça fanatismo demais o que será escrito nas próximas linhas. Não sei! Porém, tendo em vista que vejo tantas pessoas enlouquecerem por causa de pseudo-artistas os quais tenho até vergonha de pronunciar o nome nesse humilde blog, por que não posso também, vez por outra, citar os meus ídolos para fazer uma postagem simples? O caso é que estava eu, outro dia desses, assistindo no canal a cabo Free View ao concert film – mistura de documentário e show – Back in the U.S, do eterno beatle Paul McCartney, quando comecei a reparar de forma mais detalhada na reação da platéia que assistia às apresentações musicais do mega-astro e quão surpreso não fiquei ao atentar para o fascínio desmedido de uma multidão de crianças, jovens, adultos, idosos, mesclados aos grupos, gritando, uivando e delirando entre uma canção e outra.

 

               Let it be, Hey Jude, Sgt. Pepper’s, Yesterday, não importava a música, o delírio febril causado pelos acordes era suficiente para tirar as pessoas do sério e interagirem como uma alcatéia louca (sedenta, nesse caso, por Rock n’ roll). Terminado o show – praticamente uma hora e meia de frenesi elétrico e absoluto, fico estático sentado no sofá, tentando entender, de forma definitiva, do que se trata ser fã. O que move tantas pessoas a um mesmo ideal: cultuar um homem ou uma banda num palco? Até que ponto vale todo o sacrifício de viagens estafantes, muitas vezes a outros continentes, pelo simples prazer de acompanhar pro poucas horas o seu artista predileto? Será que vale realmente a pena?

 

            Movido dessa pergunta e bastante coragem, fui atrás de colegas meus, verdadeiros viajantes do rock e do showbiz, homens e mulheres que já atravessaram o país e o mundo de moto, de carro, de avião, mochila nas costas, dormindo em albergues e do lado de fora de estádios de futebol, numa maratona insana de 72 e às vezes (acreditem!) 120 horas de espera desumana, na expectativa da abertura das bilheterias, para aí então disputarem com unhas e dentes os tão idolatrados ingressos que lhe permitirão a dádiva de estarem frente a frente com seus heróis. Ufa!

 

            No último show dos Rolling Stones, na praia de Copacabana, tive a curiosidade de sair de carro com um primo – me desbancando da zona norte – só para sentir o clima da festa. E que clima! Multidões de motoqueiros, tatuados, mulheres de corpos esculturais, gays, lésbicas e afins, atravancavam-se em busca do melhor espaço, da visão privilegiada, da faixa de areia mais agradável, da posição mais próxima à ponte construída na orla que levaria os quatro dinossauros do rock da entrada do Hotel Copacabana Palace até o palco. Após perder a conta dos empurrões e encontrões que levamos, achei melhor voltar para casa e assistir ao grande show no bom e velho amigo telão de LCD. E, curiosamente, mesmo tendo estado lá, a impressão que se tinha pela televisão é que havia muito mais gente do que pessoalmente. Simplesmente fantástico. Não é à toa entrou para o livro Guinness dos recordes.

 

            Enfim: poderia passar horas, dias, anos, comentando a respeito da euforia que esses deuses da música causam nas pessoas (quem quiser ver amostras claras, vá ao Youtube e procure pelas apresentações no Woodstock e em Glastonbury e vocês entenderão bem melhor do que esse mísero artigo), mas a única resposta prática que me vem a mente nesse momento é a seguinte: o desejo de entender como eles conseguem ser desse jeito, para então poder tornar-se um deles. Pois somente essa justificativa é capaz de me fazer acreditar no poder dessas criaturas divinais e o quanto elas são capazes de incorporar o instinto humano de metamorfose.

 

    

            Foto: http://images-eu.amazon.com

 

 

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2 Respostas to “Artistas ou semideuses (dá no mesmo)”

  1. renan bono Says:

    Acho que não existe uma explicação exata para esse sentimento. É uma coisa que você sente e não sabe o que é. A música, quando é boa, te proporciona isso. Eu gosto muito de música, e gosto muito de conhecer música, mas, para mim, são poucos os artistas que proporcionam essa grande euforia e que realmente valem a pena pagar um caro ingresso e passar por essa maratona de tantas horas para assisti-los, como você citou. Os Stones, o Paul McCartney são alguns que merecem. Eu estou na expectativa de sair daqui de Vitória, Espírito Santo, só para assistir a rápida aparição do João Gilberto no Rio de Janeiro, em agosto. O que me faz sentir isso? O fascínio pela música que ele produz, que faz jus a importância que ele tem para a música brasileira.

    Gostei do seu blog e da sua postagem.

    Abraço.

  2. Wally Says:

    Artista é muito mais mesmo! Claro, depende muito. The Beatles, por exemplo, é um grupo de todos semi-deuses, entre outros cineastas, atores, cantores, roteiristas e etc. Felizmente ainda temos talentosos para fazer do mundo um lugar melhor.

    Ciao!

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