Um desabafo ao cansaço do Mundo

Tomohiro Kato

Estamos também cansados do mundo ou somente de pessoas como ele?: A Banalização da violência contemporânea.

A cada dia que passa me apavoro mais e mais com o caminho que a humanidade vem trilhando. E não somente isso: percebo o quanto a sociedade de bem vem também se inquietando e perdendo parte de sua fé nessa criatura contraditória chamada ser humano. O caso da vez chama-se Tomohiro Kato que, simplesmente por se considerar cansado do mundo em que vive (palavras essas que fez questão de repetir em alto e bom som quando interrogado pelas autoridades policiais), decidiu atacar a facadas transeuntes em plena rua, no bairro de Akihabara, cidade elétrica do Japão, matando sete vítimas e ferindo outras doze.

O crime, que choca pelo alto teor de imbecilidade por parte de seu perpetrador, levanta uma questão muito séria nesse mundo globalizado em que vivemos: que rumo está tomando o ser humano nessa sociedade tão marcada por estrelismos, grifes, gírias da moda e um batalhão de tecnologias multimídia que, se por um lado não transformam nossas vidas num oásis de facilidade, por outro são capazes de nos algemar, fazendo-nos sentir como prisioneiros mesmo quando caminhamos calmamente pelas ruas? Veio-me a mente nesse exato momento a personagem Alice do célebre romance de Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas, no exato momento em que ela, perseguindo o coelho branco, cai no buraco que serve de porta de acesso à outra realidade, misto de ficção e realidade perturbadora.

Qual não foi a reação da pobre e ingênua Alice senão de estranhamento e incompreensão diante daquele mundo governado por uma rainha que comandava um imenso séquito de cartas de baralho e personagens alucinantes e suas mentes complicadas (praticamente nada deixando a dever a nossos dependentes químicos contemporâneos, cabendo aqui um maior destaque nessa classe para o escritor, recentemente transformado em celebridade pelo cinema hollywoodiano, Phillip K. Dick, autor das obras-primas de ficção científica Blade Runner e Minority Report)? E qual não foi a minha surpresa, em pleno século XXI, por estar diante de um criminoso tão abrupto e ao mesmo tempo tão infantil como esse simplório japonês, uma pessoa comum, que poderia esbarrar com você em qualquer esquina, café ou supermercado, chacinando pessoas que nada lhe fizeram – muitas delas sequer tendo-o visto anteriormente – de forma tão bárbara e desmedida?

Dirão os pobres de espírito: “mais um crime para entrar para as estatísticas”, enquanto inocentes, indignados, gritarão por justiça, tanto nas ruas de Tóquio e adjacências, como no resto do mundo. “E o final da história?”, perguntarão os mais apaixonados pelos best-sellers, aqueles que acreditam encontrarem nas páginas dos livros um resumo poético da vida que vivem e do mundo em que estão inseridos. O final? Quem souber a resposta, por favor, me diga, pois eu mesmo já não sei mais o que especular e tenho medo, honestamente, de me escandalizar com a resposta…

Foto: news.yahoo.com

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4 Respostas to “Um desabafo ao cansaço do Mundo”

  1. Janaina Says:

    Oie! Obrigada pela visita.
    Sabe que tem dias que eu sou super a favor da lei de Talião? Tem umas pessoas que a gente simplesmente quer que elas passem pelo que fizeram outras passarem. Nem sei se isso é certo ou não. Mas algumas vezes, é simplesmente assim.

  2. Pedro Says:

    O mundo anda louco.

  3. Renata Says:

    Sempre vemos mais e mais exemplos de que não dá mais pra prever qual vai ser a próxima loucura do ser humano, e eu sinceramente não acho que daqui pra frente alguma coisa vá melhorar… uma pena que o homem esteja destruindo sua própria existência ;-/

  4. Igor Oliveira Says:

    Prezado Roberto,

    Cheguei ao seu blog pelo comentário que você fez no meu, sobre o filme
    Into the Wild. Agradeço a visita. Como me encontrou?
    Ao chegar aqui para retribuir a visita, me deparo com um assunto sobre o qual já escrevi algum tempo atrás, aí vai:

    http://igordroog.blogspot.com/2008/02/ferramentas-potencializadoras-do-mal.html

    Essas coisas me assustam bastante também, principalmente com um filho pequeno, que vai crescer nesse mundo. A gente acha que pode garantir o melhor, mas quanto ao mundo lá fora já é outra história.

    Parabéns pelo blog, já linkei no meu!

    Um abraço,

    Igor Oliveira
    http://igordroog.blogspot.com/

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