Algumas hipocrisias recentes…

novembro 26, 2008
O mundo está parecendo isso aqui

O mundo está parecendo isso aqui

 

Hipocrisia (1):

 

Voltei a ver, ler e ouvir muito material sobre o mundo das drogas e suas conseqüências fúnebres. Dessa vez, seu alter-ego se chamava Fábio Assunção. Tudo por causa de seu afastamento da novela Negócio da China, dirigida por Miguel Fallabella para a Rede Globo de Televisão. Foi assim também, não faz tanto tempo, com o comentarista esportivo Carlos Casagrande e, há um pouco mais de tempo, com outro ator global (no caso, Marcello Anthony). O que me incomodava não é a tragédia em si, pois acredito realmente que se trate de um drama de proporções bíblicas, mas o fato de sempre gerar uma imensa especulação em páginas de jornais e revistas quando a vítima é uma celebridade. Parece até que somente pessoas famosas sofrem desse mal. Já reparou que toda vez que um artista luta contra o mundo das drogas as campanhas contra esse mal-estar do século aumentam, voltam a ganhar notoriedade? E quantos morrem vítimas do mesmo mal e nada é dito ou feito para combater a catástrofe? Que coisa, não é mesmo? É nessas horas que a gente percebe (ou, pelo menos, eu) o real valor do indivíduo na sociedade em que vivemos.

 

(…)

 

 

Hipocrisia (2):

 

Cuidado quando for bater palmas em gesto de felicidade ou agradecimento. Pode ser a sua ruína, meu caro. Acabo de ler uma matéria sobre o festival de cinema que está rolando em Brasília sobre dois filmes que tiveram como temática a questão da Amazônia. O público aplaudiu, ovacionou de pé e, entretanto, as intenções mostradas foram outras. Isso mesmo! Tudo não passava de crítica. Seja ao modelo de captação de recursos do filme ou ao fato do diretor ser um adepto da atual política vigente, não importa. O fato é: ninguém aplaudiu verdadeiramente para festejar ou reverenciar o talento de seu produtor, mas sim para protestar. Chegamos a um ponto em que não dá mais para entender o que se passa na cabeça da sociedade contemporânea. Como se não bastasse a minha dificuldade em acreditar, dar credibilidade a lágrimas e sorrisos em excesso num país onde tudo vira galhofa e motivo de piada sem graça, agora até mesmo aplaudir virou traço de mau caratismo. Onde vamos parar, meu Deus?

 

(…)

 

 

Hipocrisia (3):

 

Vencida a primeira batalha para dar fim (ou para quem preferir o termo, suavizar, se bem que não é isso que tenho visto) ao direito dos estudantes de meia-entrada em estabelecimentos culturais (entenda-se: cinema, teatro, etc). A primeira votação ganha limita o direito às salas a uma cota de 40% de estudantes por sala. A meu ver, uma verdadeira hipocrisia. Por um lado, até não há o que contestar: existe muita carteira de estudante falsificada é um fato. No entanto, esse papo de que no final das contas o estudante não paga meia nenhuma, pois os ingressos são encarecidos para dar conta dessa demanda (me engana que eles vão abaixar os preços depois da medida!), 80% das salas é só de meia-entradas para estudantes, produtores culturais, atores e a companhia toda reclamando que precisam sobreviver e “assim não dá mais”, “isso precisa acabar”, etc, etc, etc, buá, buá, buá. Tudo cascata barata. O que ele querem é muito fácil de responder: mais dinheiro. Cada ia mais dinheiro. E só Fala sério!

 

 

Foto: http://bitsmag.com.br/images/stories/cidadao/drogas.jpg

 

 

Obama + o que tenho percebido vendo a TV…

novembro 20, 2008
O novo chefe mundial

O novo chefe mundial

 

O mundo está em transição.

Até onde isso vai é que são elas.

Com a chegada de Obama ao poder fico me perguntando: será agora o fim dos Estados Unidos (Cara! É o primeiro Presidente negro norte-americano. Todo mundo vai querer atrapalhar a vida dele) ou o início de um novo ciclo de poderio? Existem torcidas para ambos os lados. Eu, honestamente, acho que o um mundo fica na mesma. Pode até melhorar para nossos brothers. Quanto à política externa, são outros quinhentos…

(…)

E a seleção brasileira? Irá a copa? Seria interessante, confesso, imaginar uma copa do mundo sem o Brasil. Podem até me chamar de derrotista, mas como dizia a canção de Cássia Eller, o “Pra sempre, sempre acaba”. Quem somos nós para deter essa marca de único país a ter participado de todas as copas de forma definitiva? Se o Império Romano acabou, após 500 anos de opressão, meus caros, tudo na vida acaba.

(…)

Chego ao final de mais um semestre de faculdade me indagando a seguinte questão: qual o papel da educação nesse país tupiniquim cheio de moralismos e falta de ética? Quem são essas pessoas que andam pelo campus universitário, correndo, fingindo-se de apressadas, quando a única coisa que desejam é o diploma no fim do curso (e o pior: sem saber que tipo de validade ele terá). Meu Deus! Quanta ignorância!

(…)

Na HBO aos sábados o meu lado voyeur sádico não perde os episódios da série Satisfaction e os dilemas dessas mulheres (prostitutas de carreira) para sobreviver as derrotas e pancadas constantes que recebem da vida. Quem não viu ainda, veja! Por trás de toda a sexualidade e do lado carnal das imagens a uma visão profunda sobre o mundo feminino como nós acreditávamos conhecê-lo (ledo engano!). Tem de tudo: mulher mais velha, discussão entre mãe e filha, prostituta lésbica grávida, clientes sadomasoquistas, dono de bordel que se apaixona pela funcionária… Imperdível!

(…)

Por ora fico por aqui.

Mas eu volto.

Sempre volto.

 

 

  

 

 

 

 

O Que tenho visto…

outubro 24, 2008
Foto de Andréa Horta

Foto de Andréa Horta

 

Quando eu penso que a televisão – e já não cabe mais aqui uma segmentação de tv paga ou tv aberta, nada disso! Apenas TV como um suporte de comunicação – já deu o que tinha que dar, que nada mais pode ser oferecido que não a mesmice ou a repetição de tudo que já foi passado e repetido e reimpresso, como uma cana de açúcar várias vezes imprensada pela máquina que produz o caldo nas pastelarias, ela me surpreende mais uma vez e me prende a frente do aparelho para acompanhar sua programação. A responsável por essa façanha dessa vez é a série Alice da HBO, protagonizada pela sensual e talentosa Andréa Horta. O contexto é forte. Rola de tudo: sexo, sexo e mais sexo, pai suicida, tia lésbica, romances proibidos, gravidez indesejada, de tudo mesmo… E olha que ainda está no quarto episódio, hein? A dupla que comando a direção geral (os cineastas Sérgio Machado, de Cidade Baixa e Karim Ainouz, de Madame Satã) subverte o teor angelical de Alice no país das maravilhas, obra máxima do célebre Lewis Carroll e nos transporta para uma São Paulo visceral, autêntica, sem rodeios, simplesmente contemporânea sem cair no desleixo de apresentar uma utopia (leia-se: uma cidadezinha correta para turista visitar e só). Longe disso! A cada episódio finalizado é possível sentir uma espécie de aprisionamento, como se também estivéssemos vivendo essa saga, essa provação de angústia, rodeada por sentimentos confusões, paqueras, diversas e a dificuldade de formar escolhas certas, se é que dá pra se pensar num cenário de certo ou errado num lugar desses. Sublime!

 

 

 

 

 

Como formar uma opinião sobre a morte trágica (esse termo já virou clichê, não adianta!) da menina Eloá em todo aquele teatro ocorrido durante o seqüestro e mais uma participação catastrófica da polícia? Que sociedade hipócrita a nossa! Já esquecemos da menina Isabela na estação do metrô tijuca, já esquecemos do ônibus 174 e da moça que ficou paraplégica (talvez nos lembremos de novo agora, por conta do filme homônimo do Bruno Barreto), já esquecemos da morte da filha da novelista Glória Perez, já nos esquecemos do jovem filho de classe nobre que metralhou, em SP, dentro de uma sala de cinema, durante a projeção do filme Clube da Luta, de David Fincher, já nos esquecemos de Suzanne Hirschtoffen que tramou o assassinato dos próprios pais, já esquecemos até (para sairmos um pouco das terras tupiniquins) da morte de Jean Charles na Inglaterra por agentes da Scotland Yard. De quanta coisa a gente já esqueceu, não é mesmo? Só não esquecemos é quando acontece com o filho da gente, o irmão/ã da gente, nossos pais, parentes, aí o bicho pega. De resto: não é comigo, que pena!, Que Deus dê forças a família dela e etc, etc, etc, etc (e mil etcs e tais). Opinião a declarar? Fico com a imagem acima. É a mais honesta para expressar o meu sentimento nesse exato momento.

 

 

 

Imagens:

http://oglobo.globo.com/fotos/2007/08/15/15_MHG_cult_alice1.jpg

http://www.convento.blogger.com.br/LUTO.jpg

 

 

        

Sem Novidades no Front

outubro 3, 2008

 

Compilando falta de assuntos: desapontamentos, curiosidades e outras coisas mais…

 

 

            O mês de setembro teve duas premissas que afetaram gravemente o meu processo narrativo: a primeira, a falta de assuntos realmente dignificantes do ponto de vista de significado (ou seja, em regras gerais, que merecessem pauta nesse causídico blog), e a segunda o corre-corre em que estive envolvido na faculdade quanto a trabalhos acadêmicos, provas e apresentações audiovisuais ainda em fase de formatação. Portanto, não foi muito difícil acatar a decisão de amigos íntimos em escrever sobre a falta de assunto. Isso mesmo! A falta de…

            (…)

            Primeiramente, manifesto aqui de forma pública o meu descontentamento quanto à programação do Festival de cinema do Rio de Janeiro desse ano. Onde estão aqueles filmes que eu realmente queria assistir, que estavam praticamente confirmados, mas na hora H não vieram por motivos muitas vezes inexplicáveis (refiro-me aqui, entre outros exemplares, a Guerilla, de Steven Soderbergh, Austrália, de Baz Luhman, The case of Benjamin Button, de David Fincher e The Exchange, de Clint Eastwood)? Uma afronta para aqueles nostálgicos cinéfilos que aguardam durante todo o ano pela oportunidade única de verem antes dos seus respectivos lançamentos as tão aguardadas produções que disputam páreo a páreo os gostos do público que lota a temporada Pré-Oscar no final do ano.

            (…)

            Como disse acima, por estar atolado com tantas provas, trabalhos, projetos, meu rendimento caiu. Mas, curiosamente, sempre acontece coisas muito boas nessas épocas de correria universitária, onde tudo parece perdido até que uma tranqüilizante novidade ou mesmo uma diversão de última hora o faz se recompor do stress diário no meio estudantil. A primeira foi a chegada da exposição Corpo Humano: real e fascinante, no Museu Histórico Nacional. Após ter ficado de queixo caído com a mostra, veiculada no programa Fantástico, da Rede Globo, temos agora a chance preciosa de ver in loco os esqueletos e órgãos humanos dispostos de forma sombria e inebriante. A segunda foi a grande feira de livros que aconteceu no Museu da República onde tive a oportunidade de adquirir livros imprescindíveis da minha área por preços módicos. E, finalmente, a grande saraivada de lançamentos comprados pela videoteca do Centro Cultural Banco Brasil (entre outras pérolas, obras-primas de Charles Chaplin, Depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni, alguns filmes de Orson Welles, Sergei Eisenstein, John Ford e muita coisa mais. Prefiro parar aqui senão o post vira enciclopédia cinematográfica!)

            (…)

            A maneira como a venda dos primeiros ingressos para o show de Madonna foi vendida aqui no RJ (refiro-me aos ingressos para o show do primeiro dia) já dá o que pensar da mega-turnê da loura femme fatale: será que vai ser isso tudo mesmo? Sei não! As últimas duas turnês dela, honestamente, não me agradaram nem um pouco. Madonna vestida de caubói? Crucificação de Cristo em pleno palco? Músicas que acentuam o lado místico da diva? E agora essa mistura com Timbaland e Justin Timberlake? Podem até achar que estou querendo jogar água no chopp da moça, mas sei não… Estou começando a ficar receoso. Resta saber se a Globo (ou a Record, que tanto deseja tomar a liderança televisiva da Vênus platinada) vai tomar vergonha na cara e passar a apresentação no Maracanã para aquela moçada que não dispõe das cifras milionárias pedidas pela produção da bela material girl.

            (…)

            Fico por aqui (por enquanto), mas volto.

            Com assunto ou sem.

            Eu sempre volto!

 

      

Pequenas notas de rodapé

setembro 19, 2008

Desabafo + Ode ao Photoshop + Pedido de paciência

      

            Assim como Murilo Salles, que soltou o verbo numa coluna recente do Jornal O Globo sobre a distribuição dos filmes nacionais nas principais redes de cinema do país – em particular a sua recente produção Nome Próprio, vencedora de vários Kikitos em Gramado -, o não menos taxativo cineasta Walter Salles, produtor de obras raras como Central do Brasil, Diários de Motocicleta e o atualmente nas telas Linha de Passe, vencedor da Palma de Ouro em Cannes de Melhor atriz para Sandra Corvelone, soltou seus impropérios em curta entrevista cedida ao caderno B do Jornal do Brasil. Na matéria, efusiva, o cineasta dispara sua metralhadora intelectual afirmando em alto e bom som: “cinema não é sabão em pó ou sanduíche do McDonald’s. Trabalhamos com memória afetiva e não com simples mercadorias e bibelôs”. Grande Walter! Até que ponto – pergunto-me, enfastiado em meu sofá, enquanto leio o jornal – teremos de aturar um sistema cinematográfico hipócrita como o nosso? Até quando teremos de engolir produções caríssimas como Batman: Cavaleiro das Trevas, Speed Racer, O Procurado e tantos outros caça-níqueis internacionais tomarem nossas salas de assalto (e não me limito aqui aos multiplex da vida, não, a qualquer cinema um pouco mais difundido já basta), enquanto produções belíssimas como A Festa da Menina Morta, de Matheus Natchergaelle, o próprio filme de Salles (o Murilo, não o Walter) e muitas outras obras de expressão da nossa produção fílmica são relegadas a cinemas de pequeno porte, isso quando não são lançados somente em DVD após uma árdua espera dos cinéfilos. Vou até parar por aqui, senão vou falar um palavrão nesse humilde post que não tem culpa de toda essa calhordice.

            Cinema Nacional: Odeie-o ou deixe-o.

 

            (…)

 

            Um amigo fanático por bunda e seios polpudos corre em minha direção trazendo o exemplar do ensaio fotográfico de Carol Castro pela Playboy. Em seu rosto e atitude, ressoa um único comentário: maravilhosa! Pego a revista de suas mãos (para não dizer tomo!) e folheio por alguns minutos o trabalho fotográfico muito bem realizado e, ao final de minha “inspeção” (pois mais parece isso) falo sem titubear: Que beleza o Photoshop! Aturdido, ele me encara com olhos vermelhos de esgar e, logo, a crítica se pronuncia:

            “Qualé, Beto, tô te estranhando!”.

            Que mais poderia dizer? Vivemos a era da manipulação das imagens. Falsos aqueles que dizem de peito aberto “dessa água não beberei” quando fazem seus trabalhos de fotografia, seja para a faculdade, seja profissionalmente (e não necessariamente precisa ser um ensaio sensual. Nada disso! Uma matéria jornalística num bairro de subúrbio no domingo de manhã já basta para exercitar suas modificações digitais). Por andar à revelia de todos esses magos da imagem – definitivamente, já deu pra perceber que não compro a Playboy e quando vejo o ensaio é de graça, pela internet – e após ter lido recente matéria sobre o tema “Manipulando o Real” no caderno Olhar Digital do Jornal O Globo, percebe-se claramente em meu depoimento o descontentamento de minha notória pessoa por esse clima de second life que pairou sobre a sociedade contemporânea.

            Por não querer me estender sobre o assunto por considerá-lo vazio e totalmente sem graça (onde já se viu aplaudir mulheres transformadas por computador, quando no momento em que você cruza com essas musas pela cidade carioca, principalmente nas praias, elas decepcionam à primeira vista?), prefiro eximir-me de uma opinião definitiva e deixar o barco – aquele do Roberto Menescal à luz de vela e da Bossa – rolar. Minha avó (saudosa mulher de quem nunca me esqueço) dizia sempre que televisão engordava as pessoas. Se a TV as engorda de fato, não sei. Mas que o Photoshop mente, ah! Isso mente.

 

(…)

 

            Estou a duas semanas tentando assistir a peça O Trovador Solitário, baseada nas canções e no universo do compositor Renato Russo, ex-vocalista da nostálgica banda Legião Urbana. E ainda não consegui. Esse domingo tentarei novamente. E caso consiga realizar esse desejo (melhor chamá-lo saga, fica mais adequado), prometo compartilhar essa experiência por aqui. Portanto, é aguardar. De preferência, cruzando os dedos.  

 

 

Fotos:

http://www.carreirasolo.org/archives/imagens/renato%20russo.JPG

http://www.nndb.com/people/126/000088859/salles-crop.jpg

http://blogvecindad.com/imagenes/2007/03/photoshop.jpg

 

 

50 Anos de sangue, suor e muito pop

setembro 4, 2008

 

Michael Jackson chega aos 50 anos (quem diria!)

 

 

            Esse distinto senhor da foto acima – pasmem! – chegou há poucos dias a fatídica marca de 50 anos completados (o que, se para outros imortais das artes pode parecer pouco, em se tratando de sua humilde figura trata-se de uma façanha digna das mais nobres festas e rapapés). Lembro-me exatamente da primeira música que ouvi com sua assinatura: tratava-se de “Don’t stop ‘til get enough” cujo videoclipe, clássico da época, trazia Michael em sua mais deslumbrante forma, dançando de smoking ao redor de esferas incolores num clima bem sci-fi, coisa bem ao estilo de produções como Barbarella, de Roger Vadim. Naquele exato momento em que meus ouvidos se deliciavam com o seu pop frenético, eu ainda não tinha a menor idéia de que aquele menino, saído dos Jacksons Five, após muita polêmica, berros e socos por parte do agressivo pai, reviraria o mundo de ponta a cabeça com o fenômeno Thriller, até hoje o mais consagrado álbum da história da indústria fonográfica mundial. Palmas para ele! Até porque nessa época ele ainda era merecedor de todas as honrarias que fossem feitas em seu nome.

 

 

 

            O tempo passou (vieram Bad, outro disco polêmico, com direito a gestos sexuais que foram imortalizados pelo público mais fanático pela Jacksonmania, e Dangerous com parcerias bem montadas e aquele gesso na mão do cantor em cima da Estátua da Liberdade no clipe Black and White), o cabelo queimou (literalmente, numa apresentação ao vivo nos estúdios da BBC), as plásticas se tornaram uma mania doentia que perseguiram sua vida, o vitiligo serviu a causa do enbranquecimento e, principalmente, o popstar tornou-se o amigo inseparável das crianças, que passaram a fazer de tudo para visitar seu rancho Neverland, reduto do paraíso infantil e das obsessões do astro. Porém, como nem tudo no quartel de Abrantes são flores, sorrisos, abraços e chamegos, a justiça quis entrar na roda quintaniana (João amava Maria que amava Pedro que… Você que já leu o poema sabe o resto!) para apurar o que havia de angelical e o que havia de sinistro – para não dizer outro termo mais forte – em toda aquela história juvenil. Resultado: processos inesgotáveis, pais ofendidos com o que o compositor havia feito com seus filhos, pedindo indenizações milionárias, queda nas vendas, coletâneas atrás de coletâneas (só para se ter uma idéia: os álbuns History e Invincible sequer chegam aos pés dos dias mais fracos da carreira de Michael), raras aparições em prêmios televisivos e no Grammy – e assim mesmo acompanhado de uma turba de seguranças capazes das maiores atrocidades só para garantir sua integridade – e… E mais o quê? Que eu me lembre nada.

 

 

 

            Entenderam agora o porquê da façanha de Jackson ter chegado aos 50 anos. Depois de tantas tragédias, sopapos, pais ranzinzas, crianças querendo brincar de roda, discos fracassados, turnês desmarcadas, o novo álbum que nunca fica pronto (e nesse quesito ele só concorre em iguais condições com Axl Rose, vocalista do Guns N’ Roses e seu nunca completado disco Chinese Democracy!) e uma série de bizarrices que só fazem aumentar ainda mais a sua fama de excêntrico, como os filhos que só andam de burca, o casamento forjado com Lisa Marie-Presley, a inseparável máscara que o acompanha em suas exaustivas viagens de… De quê mesmo?

 

 

 

            Esse é Michael Jackson, o inventor do Moonwalker (vale aqui a recomendação: veja o filme, que passava muito no SBT na antiga Sessão das Dez que nunca começava às dez. É lúdico! Se puder gravar, pause na seqüência da música Smooth Criminal e se delicie com o passo que até hoje ninguém conseguiu imitar fielmente, mesmo o Usher tendo tentado com toda a disposição do mundo), o homem que veio ao Brasil, especificamente a Rocinha, um dos maiores pólos de criminalidade do mundo, só para gravar um clipe. Recentemente assisti em DVD sua última turnê gravada, em 1994, Live in Bucareste e acreditem! O mago dos pés ainda está lá, com todo seu magnetismo, fazendo com que milhares de fãs desmaiem ao som dos acordes da canção de abertura do show. O mesmo artista célebre que todos querem imitar, a quem todos querem ultrapassar em número de vendagens, mas ninguém chega nem perto. Para aqueles que vêem Michael Jackson como um caso de polícia, digo aqui (relato apaixonado de quem foi fã): para mim, Jackson é caso de ufólogo. Só outras culturas alienígenas conseguirão explicar algum dia como esse homem faz o que faz, da maneira como faz. E tenho dito.

 

 

        Foto:

 

http://www.multinet.no/~jonarne/Hjemmesia/Favorittartister/michael_jackson/michael_jackson_4.jpg

 

 

É Show? É debate? É tudo!

agosto 28, 2008

 

Caetano X Lobão: uma discussão à antiga.

            Extra! Extra! Caetano Veloso vai falar (e quando ele fala, acreditem, vem chumbo grosso por aí). A última do poeta marginal foi durante a apresentação do show Obra em Progresso, no Vivo Rio, um espetáculo que vem “se construindo de forma polêmica e aos poucos”, de acordo com  os pensamentos e idéias do notório baiano. A vítima da vez de sua metralhadora verbal foi o roqueiro e agitador cultural Lobão, que volta e meia dispara suas flechas nada suaves em seus convidados no programa MTV Debate (um encontro que tem dado muito pano pra manga por conta das constantes discussões que vem acontecendo entre membros dos mais diversos setores da sociedade). Lobão, paulista engajado nos últimos anos de vida, deflagrou seus impropérios abertamente em edição recente do Jornal do Brasil onde acatava a cidade maravilhosa pelo acúmulo de violência sofrida nos últimos anos. Moral da história: forneceu munição ao sempre irreverente compositor que, insatisfeitíssimo com as declarações nada amistosas do roqueiro, decidiu se autoproclamar um direito de resposta muito divertido, alegrando a platéia num breve intervalo do show.

            Primeiramente: quem é Lobão, morador de uma das cidades mais violentas da América Latina, quiçá do mundo, para ofender e agredir a cidade do Rio de Janeiro de tal maneira? Será que ele nunca se tocou da barbárie e das constantes altercações sangrentas que acontecem no solo paulistano repetidamente? Será ele o único cidadão brasileiro que não crê na situação caótica que vem assombrando a sociedade brasileira nas últimas décadas? Estará ele louco ou mal informado? Ainda por cima fornece material vasto para que um dos maiores debatedores de nosso país o ataque de forma contundente e sem piedade. Que vexame, Lobão!

            Por que escrevo nesse blog esse pueril texto, meus caros leitores? Pois me veio à mente o nostálgico tempo da geração Paissandu, dos filmes seguidos de debates entusiásticos com mentes brilhantes que fizeram a história desse país (uma história, definitivamente, muito mais bonita e dignificante do que a dos dias atuais). Escrevo esse post para mostrar a minha indignação diante de uma sociedade que, ao invés de usar sua cultura para criar novas histórias, novos discursos, gerando com isso, novos talentos, prefere perder seu tempo em discussões alucinadas que não têm nenhum outro fundamento senão o puro marketing de seus agressores (pois, acreditem, sempre vi ambos, tanto Caetano quanto Lobão, como marqueteiros de plantão, que aguardam o momento adequado para destilarem seus venenos).

            Lástima? Sou contra debates? Longe disso! Quando bem estruturados, são ricos em informações e podem render grandes espetáculos – como aliás, aconteceu com muitas apresentações teatrais na época da ditadura brasileira – e projetos sociais. No entanto, quando se trata de bate-boca cujo único intuito é vender a imagem de determinada pessoa e o que ela pensa sobre determinados aspectos sociais, prefiro eximir-me da presença (seja in loco ou espectadora televisiva) e, por vezes, da opinião, tendo em vista serem as discussões sempre as mesmas, repetitivas, desgastantes, não acrescentando em nada a sociedade em geral.

            P.S: artigo pedido por vários leitores desse blog (nem sempre deixando seus comentários, por quererem manter suas identidades/codinomes incólumes) que estiveram presentes no show, acompanharam de perto a leitura da matéria jornalística feita pelo ex-tropicalista e riram muito com as tiradas sarcásticas muito bem construídas pelo cantor e debatedor cultural;

 

            Foto: http://leafandlime.hobix.com/pic/caetano_veloso.jpg

 

 

 

 

  

 

 

Vai dizer que você nunca teve um amigo asssim?

agosto 22, 2008

 

Os Nerds: A Nova Mania Mundial

 

 

            Aquele rapaz todo arrumadinho, que não parece normal à primeira vista, cabelo repartido, óculos fundo-de-garrafa, introspectivo, que quando se aproxima para participar de qualquer roda de bate-papo ou mesmo dar sua opinião (mesmo que passageira) só pensa em estudos, equações matemáticas, teorias físicas, que volta e meia estraga a festa ou balada, atrapalha a reunião da turma de faculdade que não se encontrava há mais de 10 anos, é chato, não bebe, não fuma, não f…Nem sai de cima. Em suma, o verdadeiro azarão. Vulgo: nerd. Quem é que já não teve um amigo assim? Eu mesmo, até hoje, tenho vários. Sempre solicitados nas horas mais fortuitas (leia-se: cola na prova da universidade, “paga essa conta no banco pra mim que eu detesto encarar fila?”, e outras emergências relâmpagos). Você sempre pensa que ele, um dia, vai cair no esquecimento e ninguém mais vai se lembrar sequer do nome. Achou mesmo? Fala sério! Eles estão mais na moda do que nunca. Na TV, na internet, na literatura, no cinema, na sala de aula, como mascote do time de futebol, basquete, vôlei de alguma universidade norte-americana, em algum lugar ele chama a atenção. E quanto ao cabelo, as roupas, a postura, se comparados aos pioneiros do gênero…Quanta diferença! Até personal stylist eles têm agora.

 

 

 

 

            É…Os tempos não são mais os mesmos para esses notórios envergonhados que, no passado, eram motivo de gargalhada e deboche. Não tem muito tempo eles foram tema do caderno Megazine, do Jornal O Globo, e com toda pompa a que suas novas facetas têm direito. Hoje, podem ser divididos em verdadeiras tribos (o nerd HQ, o nerd tecnológico, o nerd fã de RPG, e etc, etc, muitos etc mais…) chegando a formar um movimento que já virou febre na web: o movimento orgulho nerd, feito por e para pessoas que assumem sem vergonha alguma que são nerds sim, e daí? E com direito a dia próprio e tudo (para quem não conhece a fatídica data trata-se de 25 de maio e já existe desde 2006). A questão que me deixou mais apreensivo bem como os produtores do caderno jornalístico foi: como definir hoje o que é um nerd, se eles não adotam mais os estereótipos do passado? Para entender essas novas tendências assimiladas pelos novos modelos desse grupo tão vasto, Deive Pazos criou o site jovem nerd (1) que recebe a incrível façanha de 20 mil acessos por dia e atesta de forma absoluta: “nerd é aquele que tem interesse em saber além, que sempre vai a fundo em qualquer questão”. Não está satisfeito ainda? Assista aos nerdcasts, podcasts que reproduzem bate-papos entre nerds e que são o sonho de qualquer fã do gênero.

 

 

 

 

            Já sei! Você deve estar pensando: e esses caras não se reúnem em nenhuma espécie de reunião anual, congresso, como fazem os fanáticos por filmes e séries de TV? Claro que sim, meus caros. O evento preferido deles é a Comic-Con, a feira anual de quadrinhos que acontece na Califórnia e dita os rumos futuros da indústria cultural norte-americana (entenda-se: graphic novels e sétima arte). E as listas? Como se esquecer delas nesses tempos globais de estrelismos concomitantemente renováveis? Logo nós, mortais do século XXI que, como o personagem do ator John Cusack no filme Alta Fidelidade, de Stephen Frears, baseado no romance homônimo do escritor inglês Nick Hornby, fazemos de tudo por elas (e por vezes para fazer parte de algumas!). Pensou que eu ia esquecer da lista dos nerds mais famosos da atualidade, aqueles que todos gostariam de ser ou almejam parecer com (pelo menos em suas contas bancárias) em algum momento de suas vidas? Pois aqui estão: Bill Gates, George Lucas, Steven Spielberg, Lany Page, J. J. Abrams, Quentin Tarantino, Sam Raimi, Moby, Kevin Smith, aquela rapaziada clássica da película A Vingança dos Nerds e muitos outros, porque a lista é enorme e o meu drive não comporta tanta gente. O comediante Paulo Caruso, nerd assumido, fica possesso com aquelas pessoas que não aceitam sua nerdice ou seus potenciais nérdicos e alfineta: “o pior nerd é aquele que não admite”.

 

 

 

 

            Outro ponto que me chamou muita atenção no artigo foram as classificações setorizadas dentro desse gigantesco universo: além dos nerds clássicos, existem os geeks (aqueles fanáticos por linguagem de computação e suas múltiplas vertentes: games, softwares, orkut, MSN, etc) e os já famosos CDF (criaturas inteligentíssimas que sempre têm seus cadernos solicitados ou mesmo confiscados nas escolas onde estudam). Na televisão, nos últimos tempos, eles têm ganhado papéis de importância em séries cômicas. Vide programas como Geek, no Universal Channel, The Big Bang Theory, no Warner Channel e o engraçadíssimo As Gostosas e os Geeks, do canal Multishow (e tem quem diga que eles não dão sorte com mulheres!). Já no cinema os recentes personagens Andy Stitzer (Steve Carell em O Virgem de 40 anos), Harold Crick (Will Ferrell em Mais Estranho que a Ficção) e a dupla Randall Graves e Dante Hicks (os dois imbecilóides da produção cinematográfica O Balconista, de Kevin Smith) alicerçaram a figura do nerd a um patamar nunca antes visto na história do audiovisual. E olha que o tímido Benjamim Braddock (Dustin Hoffman em A Primeira Noite de um Homem) bem que tentou! Quando o assunto é moda – pois, acreditem, essas pessoas também ditam modismos – o segredo é usar itens em liquidação nas lojas para criar um visual original, nunca visto nas ruas.

 

 

 

 

            Com tanta irreverência, tanto fascínio, e tanta gente tentando entender a mente dessa tribo, não me surpreenderei se amanhã acordar e descobrir que também sou um nerd (lembra aquela cena de A Metamorfose, de Franz Kafka, quando George Samsa acorda como um enorme inseto? Uma situação semelhante). Provavelmente, talvez eu já seja um. Eu ando lendo, vendo e ouvindo tanta coisa nos últimos anos que já não tenho mais tanta certeza da minha condição de normalidade perante o mundo. Também, o que é normal atualmente?

 

 

 

Links:

 

(1): http://www.jovemnerd.com.br

Foto: http://mob.rice.edu/sections/sa/album/images/Nerds.jpg

 

 

 

 

                  

           

Parem as rotativas (ou melhor: o trânsito!)

agosto 14, 2008

 Esburacado Rio de Janeiro Novo

 

            Lembro-me até hoje da experiência de ter lido Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Um mundo futurista – para não dizer outra coisa, pois sabemos exatamente quais foram as reais intenções do autor com a obra – onde seres humanos eram manipulados em seus elementos mais básicos e sequer tinham o direito a se emocionar. Um espetáculo narrativo! Mas, voltando ao planeta terra, aos dias atuais (que nada têm – longe disso! – aquele clima psicodélico à la Jetsons com suas naves espaciais e teletransportadores) e, especificamente, a nossa querida cidade maravilhosa, fiquei extremamente grato pelas declarações dadas pelo coordenador da Central única de Favelas, o antropólogo Celso Athayde, à coluna O Rio da Gente, sobre a crise do transporte público e do direito de ir-e-vir: definitivamente, o Rio de Janeiro transformou-se num imenso congestionamento rodoviário.

 

 

 

            Apesar de ser pequeno o espaço reservado no modesto artigo, o entrevistado pauta de forma bastante coerente os dilemas que a população carioca sofre (e não cabe aqui fazer nenhum tipo de apologia ao cenário fluminense como injustiçado, pois sei de antemão que essa realidade caótica também é sofrida na mesma proporção por moradores de outros estados). Principalmente em se tratando do cidadão das classes menos abastadas, que todo dia sai de casa para trabalhar e enfrenta o mesmo tormento: engarrafamentos homéricos nos principais pontos da cidade, com direito a palavrões a toda esquina e trocas de ofensa proferidas entre motoristas estressados que só pensam em seu próprio umbigo e não respeitam o trânsito, o comércio ilegal e desonroso de vans que tumultuam ainda mais as ruas, estacionam onde querem, põem a vida dos passageiros em risco gratuitamente e, ainda por cima, fingem-se de injustiçados pedindo melhorias para sua classe, o aumento abusivo na frota de veículos de passeio (afinal, quem é que não quer ter o seu carrinho? Faz um consórcio, meu filho, é tão baratinho!) que congestiona as principais estradas – já destruídas pela falta de manutenção – e causa tantas tragédias por conta de maus motoristas, levianos, que só estão interessados no bel-prazer que o seu automóvel pode lhes oferecer, famílias de renda baixíssima que vêem praticamente todo o salário mensal ser gasto em passagens de ônibus e trem (um acinte!), transporte ineficiente e insuficiente transitando pelas rodovias e regulamentação nunca realizada no setor. Enfim, um caos.

 

 

 

            Giro o dial do rádio e Gilberto Gil canta Aquele abraço justamente no trecho em que sua voz pronuncia a frase “O Rio de Janeiro continua sendo…”. Sendo o quê? Essa torre de babel urbana onde pobres coitados lutam para preservar os seus empregos? (pois pensam que os empregadores querem saber de atraso? Que nada! Falta no cartão de ponto ou então “pode passar nos Recursos Humanos, por favor”). E na hora da volta? Uma cidade às escuras, reduto do crime, da inadimplência, da falta de ética, da polícia que mata pra depois fazer as perguntas, das poucas conduções circulando, já que as companhias de transporte público reduzem seus carros durante certo horário para preservar seu rico patrimônio da ação de vândalos, deixando a esmo inocentes trabalhadores cujo único desejo é voltar para suas casas e familiares. Pelo amor de Deus! Que cidade é essa? Que país é esse, Renato Russo? Alguns leitores já devem estar pensando no clichê: de quem é a culpa? Vou mais além, caros amigos, e reformulo a questão: quem vai assumir a culpa? E, por falta de voluntários, eu mesmo respondo: ninguém. Enquanto não está acontecendo nada disso com o Sr. Prefeito ou o Sr. Governador do estado está tudo muito bem. “É só uma crise”, eles irão dizer à imprensa, no final das contas.

 

 

 

            Sei que estou exagerando no tom, mas não peço desculpas, não. Simplesmente cansei desse Rio de Janeiro, assim como meu compatriota Celso Athayde. Cansei de olhar a cidade outrora maravilhosa, das canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, do alto da varanda de minha casa, reler as páginas do livro Cidade Partida, do sempre sábio Zuenir Ventura e ver, com tristeza, a mesma cidade, a mesma cena, o mesmo desleixo. Um lugar depauperado por um covil de aproveitadores. E como hoje acordei com o pé esquerdo e estava a fim de um desabafo, achei pertinente o tema proposto pela coluna jornalística do jornal O Globo, para extravasar meus sentimentos. Simplesmente, meus caros, não dá mais!

 

 

 

 

Foto:http://www.saojudasnu.blogger.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

       

 

           

Estamos entupindo a internet

agosto 8, 2008

 

Será que dá pra desconectar só um pouquinho, enquanto eu dou uma olhadinha no meu e-mail? – Os avanços (e incômodos) da internet.

 

            No princípio era o verbo. E ele foi sendo subdividido com o passar dos tempos, reescrito, narrado de mil e uma maneiras diferentes. O homem, criatura efêmera nunca satisfeita em sua totalidade, decidiu criar novas formas – mais cômodas e fáceis, obviamente – de realizar as suas comunicações. E veio o rádio, amigo das donas de casa, a televisão, outrora chamada de caixa mágica, o telégrafo sem fio, a máquina de escrever manual e, logo a seguir, a elétrica (não necessariamente nessa ordem, é claro!) e, finalmente, o computador. Inicialmente imenso (alguém aí se lembra de já ter visto um Mainframe? Aquelas salas gigantescas que tomavam um andar inteiro nos prédios das megacorporações?). Ainda insatisfeito com o rumo que essas novas tecnologias vinham tomando, o homem, só pra se mostrar, o encolheu de tamanho e vem encolhendo cada dia mais. A conseqüência disso foram os notebooks, laptops, palmtops e outros hardwares. Mas a grande sacada, realmente, foi mesmo a internet, aquele antigo código militar que, rearranjado por técnicos de computação experientes, foi capaz de reduzir as fronteiras existentes entre nações e nós, míseras criaturas carentes de atenção e comodidade. Da internet discada – aquela que você espera, espera, espera…E das duas uma: ou continua esperando até que as graças do senhor permitam a sua conexão ou desiste – chegamos a tão sonhada banda larga, ao velox, ao wi-fi e outras siglas e nomes cibernéticos que eu, particularmente, prefiro não entrar em detalhes e parar por aqui, pois sempre me confundo com todos esses jargões.

 

 

 

            Porém, de acordo com a matéria publicada em distinto jornal carioca de apelo popular, intitulada “A internet está ficando entupida”, o homem, esse ser irrequieto, mais uma vez terá motivos para se queixar e se mostrar insatisfeito. Com o aumento da penetração da banda larga no país, internautas estão ficando cada vez mais mal-acostumados e querem usufruir sem limite de tempo os recursos mais avançados e as delícias que a web é capaz de oferecer. Resultado: a rede mundial de computadores está ficando congestionada (o que significa, para os mais pobres de raciocínio, mais lenta). Especialistas do ramo atestam categoricamente que o atual modelo de cobrança por banda larga está com os dias contados, pois será sumariamente impossível desentupir todo esse tráfego criado por milhões de usuários sedentos pelas imagens fascinantes dos vídeos megalomaníacos do youtube, pelos trailers em primeira mão das produções cinematográficas hollywoodianas mais recentes – Batman: O Cavaleiro das Trevas e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal foram uma febre em termos de acesso! -, os downloads de grandes arquivos textuais e musicais, a facilidade de assistir a filmes e shows em formato steaming e, o pior de todos, a venda de conteúdo HDTV usando uma estrutura não-paga (o que acarreta crime, pelo menos na visão de alguns gigantes da indústria do entretenimento).

 

 

 

            A evolução do problema, mostrada num gráfico muito bem produzido pelo jornal, é realmente alarmante: somente nos últimos 15 anos o tráfego na internet via P2P cresceu em 70%, enquanto na web o acréscimo foi de 25%. Em minha modesta opinião, pois não sou consultor de informática muito menos especialista nessa área, tudo isso pode ser reduzido a uma simples palavra: modismo. O brasileiro, outrora um bravo (como diria nos áureos tempos literários o saudoso João Guimarães Rosa) é hoje, antes de qualquer outra qualidade, um cidadão preocupado 24 horas por dia com status e tendências de mercado. E qual é a tendência do mercado no que tange à internet? A banda larga, ora. Você não precisa necessariamente ser portador de um microcomputador em sua residência. Nada disso! Tenho colegas que freqüentam cybers e lan houses que, basta que cruzem a porta de entrada do estabelecimento, vão logo perguntando ao atendente: “Tem banda larga? Tem velox?”. Se não tiver, ih! Dão as costas e saem sem pensar duas vezes, estejam cobrando o preço que estiverem, promocional ou não.

 

 

 

            Em suma, ter o conforto de um acesso rápido e poder realizar tudo o que você quer na hora que deseja do que jeito que você sonhou, mais do que um vício tornou-se uma necessidade de primeira grandeza. Se não por capricho, para que não se fique para trás nas rodas de conversa e poder dizer, quando num bar ou numa festa com amigos, que o seu computador dispõe das mais avançadas tecnologias, pois tem a tão amada banda larga. Porque quando não tem, você fica mal com a rapaziada, chamam a sua máquina de carroça e aí já viu: é um Deus nos acuda, espalham pra geral e você, coitado, fica mal na fita. E você não quer ficar mal na fita, quer?

 

 

Foto: http://www.amherst.edu

 

 

 

 

          

 

    


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.