
Foto de Andréa Horta
Quando eu penso que a televisão – e já não cabe mais aqui uma segmentação de tv paga ou tv aberta, nada disso! Apenas TV como um suporte de comunicação – já deu o que tinha que dar, que nada mais pode ser oferecido que não a mesmice ou a repetição de tudo que já foi passado e repetido e reimpresso, como uma cana de açúcar várias vezes imprensada pela máquina que produz o caldo nas pastelarias, ela me surpreende mais uma vez e me prende a frente do aparelho para acompanhar sua programação. A responsável por essa façanha dessa vez é a série Alice da HBO, protagonizada pela sensual e talentosa Andréa Horta. O contexto é forte. Rola de tudo: sexo, sexo e mais sexo, pai suicida, tia lésbica, romances proibidos, gravidez indesejada, de tudo mesmo… E olha que ainda está no quarto episódio, hein? A dupla que comando a direção geral (os cineastas Sérgio Machado, de Cidade Baixa e Karim Ainouz, de Madame Satã) subverte o teor angelical de Alice no país das maravilhas, obra máxima do célebre Lewis Carroll e nos transporta para uma São Paulo visceral, autêntica, sem rodeios, simplesmente contemporânea sem cair no desleixo de apresentar uma utopia (leia-se: uma cidadezinha correta para turista visitar e só). Longe disso! A cada episódio finalizado é possível sentir uma espécie de aprisionamento, como se também estivéssemos vivendo essa saga, essa provação de angústia, rodeada por sentimentos confusões, paqueras, diversas e a dificuldade de formar escolhas certas, se é que dá pra se pensar num cenário de certo ou errado num lugar desses. Sublime!

Como formar uma opinião sobre a morte trágica (esse termo já virou clichê, não adianta!) da menina Eloá em todo aquele teatro ocorrido durante o seqüestro e mais uma participação catastrófica da polícia? Que sociedade hipócrita a nossa! Já esquecemos da menina Isabela na estação do metrô tijuca, já esquecemos do ônibus 174 e da moça que ficou paraplégica (talvez nos lembremos de novo agora, por conta do filme homônimo do Bruno Barreto), já esquecemos da morte da filha da novelista Glória Perez, já nos esquecemos do jovem filho de classe nobre que metralhou, em SP, dentro de uma sala de cinema, durante a projeção do filme Clube da Luta, de David Fincher, já nos esquecemos de Suzanne Hirschtoffen que tramou o assassinato dos próprios pais, já esquecemos até (para sairmos um pouco das terras tupiniquins) da morte de Jean Charles na Inglaterra por agentes da Scotland Yard. De quanta coisa a gente já esqueceu, não é mesmo? Só não esquecemos é quando acontece com o filho da gente, o irmão/ã da gente, nossos pais, parentes, aí o bicho pega. De resto: não é comigo, que pena!, Que Deus dê forças a família dela e etc, etc, etc, etc (e mil etcs e tais). Opinião a declarar? Fico com a imagem acima. É a mais honesta para expressar o meu sentimento nesse exato momento.
Imagens:
http://oglobo.globo.com/fotos/2007/08/15/15_MHG_cult_alice1.jpg
http://www.convento.blogger.com.br/LUTO.jpg
Novembro 9, 2008 às 6:35 am
Olá Aki èh O weyder..
Tbm EstO MuitO Triste Com esse acontecimentO..
Meus Parabens PelO seu textO.!
Eu TenhO apenas 14 anos..
Mais EstO AbimiradO Com Seu Talento.
e ki a Eloá Esteja Com Deus..
BjOs Eloá Voc esta Aki No Meu CoraçãO..
Nuncaa Ireii eskeçer Di VCc..
“Kem Ama Naum MataH”…